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Quem conta um conto acrescenta valor

Numa conversa entre amigos, quando alguém exclama, de forma entusiasta, “nem imaginam o que me aconteceu este fim de semana!”, todos ficam despertos e curiosos para ouvir o resto. Ninguém resiste a uma boa história. Sempre foi assim. Não é por acaso que ‘A Bíblia’ é o livro mais vendido de todos os tempos.

Confesso que nunca li ‘A Bíblia’ na sua totalidade, apenas passagens. Bem, na verdade, nunca fui uma leitora ávida. Sempre gostei mais de escrever do que ler. Não gostar de ler é o meu guilty unpleasure (acabei de inventar este conceito). 

 

Apesar de nunca ter sido muito dada à leitura, há alguns livros que não me saem da memória. O que mais me marcou foi, sem dúvida, ‘O Diário de Anne Frank’. Era ainda adolescente quando li este livro. Sei hoje que era nova demais para compreender muitas coisas. Mas mesmo que o lesse com mais maturidade, com certeza, que a vida daquela menina iria despoletar em mim as mesmas emoções: ternura, compaixão, tristeza, revolta e indignação.

 

Muitas destas emoções eram contrárias às que tinha quando via ‘A Ana dos Cabelos Ruivos, religiosamente, aos sábados de manhã. Sentia-me tão feliz ao ver estes desenhos animados que, passados mais de 30 anos, voltei a apaixonar-me pelas aventuras desta ruivinha de nariz empinado, através da série da Netflix, ‘Anne With An E’.

 

Reparo agora que as protagonistas de duas das minhas histórias favoritas se chamam “Anne”. Pura coincidência! 

 

O que não é certamente coincidência é o facto de a maioria das grandes marcas apostarem cada vez mais em comunicar através de histórias emocionantes e memoráveis, como as das ‘minhas Annes’. E fazem-no porque resulta muito mais do que outras abordagens, através de enquadramentos mais racionais. 

 

No marketing, à comunicação através de histórias dá-se o nome de “storytelling”. Embora soe a uma invenção dos tempos modernos ou que pareça chinês para quem trabalha noutras áreas, o storytelling nada mais é do que a arte de contar histórias, essencial para a transmissão de valores culturais e sociais através da partilha de narrativas.

 

O storytelling visa entreter, educar e, numa perspetiva mais recente, passar mensagens comerciais para envolver os clientes na história da empresa, nos produtos e nos serviços que vende e, mais importante do que isso, de dar conteúdo à velha técnica do passa-a-palavra. Através do storytelling, a transmissão dos produtos a terceiros fica muito mais facilitada e atrativa.

 

No mundo da comunicação empresarial, o storytelling é usado para envolver os consumidores na vida da empresa e nos respetivos produtos. Divulgar informações, testar ideias, propor enquadramentos através de narrativas e contos são formas que podem ser exploradas para persuadir as pessoas a desenvolver determinados comportamentos e, em última análise, a comprar determinados produtos. 

 

Como as pessoas são persuadidas, sem se darem conta, acabam por aderir com muito mais facilidade aos conceitos que lhe são transmitidos do que se lhe forem vendidos ou impostos por outra forma.

Bons exemplos de storytelling

Quando comecei a fazer pesquisas para este artigo, deparei-me com uma série de bons exemplos de storytelling, a nível internacional. Pensei em referir alguns, mas depois pensei melhor e resolvi referir marcas e figuras públicas nacionais que, para mim, estão a fazer um excelente trabalho na arte de comunicar através de histórias.

 

Tenho mesmo de começar pela Control Portugal. O que esta marca faz é brilhante por vários motivos. Consegue contar uma história em duas ou três palavras ou até mesmo sem escrever uma única palavra. Por vezes, basta só uma imagem e uma pequena descrição para contextualizar. Depois, a história continua na imaginação de cada um de nós e nos comentários de cada publicação. Estou a dar como exemplo o trabalho que a marca faz nas redes sociais. No entanto, o storytelling é transversal a todos os suportes usados pela marca, pelo que recomendo uma visita ao website, pois lá há toda uma outra experiência à nossa espera: https://www.control.pt/ .

 

Outro website merecedor de uma visita é o da Herdade do Esporão, em particular a página da campanha Mais.Devagar. Atrevo-me a dizer que este é dos projetos de comunicação mais bonitos e inspiradores que já se fez em Portugal. Porque quem conta um conto acrescenta um ponto, em vez de ser eu a contar do que se trata, é melhor ires lá espreitar e descobrires por ti, ao teu ritmo. 

 

No nosso panorama, também há figuras públicas que trabalham muito bem o storytelling. Muitas são-no naturalmente, sem qualquer planeamento ou estratégia de marketing por trás. Ou, se têm alguma estratégia, têm andado a enganar-me bem. Um desses casos é a Madalena Abecasis. À primeira vista, parece uma daquelas tias betas muito irritantes e fúteis, mas desconstrói completamente esse estereótipo. É atualmente uma das minhas anti-heroínas preferidas. A outra é Mariana Cabral, mais conhecida como Bumba na Fofinha.

 

A Mariana é admirável pela sua capacidade de contar as histórias da sua vida e de fazer identificar-nos com elas, por mais surreais que muitas possam ser — e são mesmo. Mas não só. A Mariana tem a capacidade de mobilizar a sua comunidade a agir como uma comunidade. Exemplo disso é o baby shower, organizado recentemente, durante o qual conseguiu angariar mais de 68 mil euros para o Banco do Bebé e mais de 2 mil euros a favor da UNICEF, para a emergência na Ucrânia.

 

Não faltam, sem dúvida, bons exemplos para justificar o título deste artigo: Quem conta um conto acrescenta valor. 

 

Na LCPA, felizmente, temos conseguido adotar esta abordagem em algumas marcas e empresas, com resultados bastante positivos. 

 

Neste caso, não se aplica o ditado ‘em casa de ferreiro espeto de pau’, pois também a marca LCPA tem usado o storytelling para comunicar. Estamos sempre a contar histórias das mais variadas formas. É possível conhecer micro-histórias de cada um de nós, na página da equipa. Antes de lançarmos a nova linguagem, criámos toda uma narrativa à volta disso. Após a revelação da nova linguagem, a história continuou e continua a circular pelas ruas de Faro, literalmente, e a suscitar a curiosidade de parceiros, amigos e familiares. 

Ainda te restam dúvidas porque é importante apostar no storytelling?

Se ainda te restam dúvidas e se achas que o tema foi demasiado floreado até aqui, fica para ler, porque, a partir de agora, vou ser mais objetiva. 

 

Com uma boa narrativa, podes educar o teu público com conteúdos informativos, aumentar a autoridade da tua marca, contando a história do teu negócio ou, então, utilizar gatilhos emocionais para fazê-lo decidir de forma mais rápida.

 

Mas atenção: storytelling não significa enganar os leitores, seguidores e/ou clientes. Pelo contrário, quanto mais verdade e transparência passares nos conteúdos, mais interesse e envolvimento vais gerar. E, atualmente, este pormenor faz toda a diferença, pois as pessoas querem cada vez mais interação e diálogo com as marcas.

 

Ou seja, storytelling não significa inventar uma ‘estória da carochinha’, mas sim utilizar algumas técnicas para produzir materiais mais interessantes e que solucionem as dores das tuas personas.

 

Além disso, é importante lembrar que cada vez é mais simples conseguir informação objetiva. O próprio Google tem otimizações que permitem que o utilizador encontre as suas respostas sem necessitar de entrar numa página específica. Há uma situação que ilustra bem este ponto: quando temos uma dor, no sentido literal e não figurado, o primeiro doutor a quem recorremos é o Dr. Google. Mas não é ele quem nos trata, se for caso para isso, pois não? 

 

Por isso, é fundamental oferecer um fator diferenciador, algo com que o público se identifique imediatamente e com que crie confiança. E aí, obviamente, entram as histórias: que emocionam, orientam e fazem rir.

 

Na LCPA, estamos prontos para contarmos a história da tua marca ou empresa. Quando quiseres, marcamos uma conversa para definirmos como tudo se poderá desenrolar. Acreditamos que uma boa história começa com uma boa conversa! 

 

Fontes: 

moloni.pt

referralcandy.com

Social Media Manager / Copywriter